Os quatro SES do
FMI
O
estado do país é como um baralho de cartas, um pouco mais de vento e poderá
fazer cair todo o castelo. Pelo menos é assim que o Fundo Monetário
Internacional olha para os próximos tempos.E defende que mais austeridade só aumentará a tempestade no país: quer económica, quer social ou política.
Na
última revisão ao Memorando de entendimento, o FMI avisa que, apesar de o
programa estar a ser cumprido, há quatro riscos que poderão pôr em causa todo o
trabalho. Primeiro, os peritos internacionais dizem que a recessão pode ser
maior que o esperado. O ajustamento da economia vai tomando forma e o ambiente
externo, “possivelmente mais fraco”, vai intervindo nas contas nacionais
através, por exemplo, da redução do consumo. Em segundo lugar, o FMI lembra a
missão quase impossível do governo: “A pura dimensão do ajustamento aumenta os
riscos de implementação”, escrevem os peritos. Ou seja, são muitas medidas ao
mesmo tempo e sobre vários assuntos.
E
como não há duas sem três, nem três sem quatro, o FMI diz ainda que há o perigo
de um crescimento das responsabilidades financeiras dos privados, a tal ponto
que isso se reflectiria na banca nacional e por consequência nas contas do
Estado, que teria de assistir esses bancos. E por fim lembra ainda que o
processo de crescimento da economia é lento e que a estratégia de
“desvalorização interna” de salários e preços pode demorar mais tempo do que o
esperado.
A combinação destes riscos pode dar origem a uma recessão em espiral e, “pior ainda”, lembra o FMI, a insistência em mais austeridade pode incendiar o apoio social e político ao programa. Este problema não vem só do exterior – a oposição, principalmente o PS, e os parceiros sociais – como de dentro da própria coligação PSD/CDS.
A combinação destes riscos pode dar origem a uma recessão em espiral e, “pior ainda”, lembra o FMI, a insistência em mais austeridade pode incendiar o apoio social e político ao programa. Este problema não vem só do exterior – a oposição, principalmente o PS, e os parceiros sociais – como de dentro da própria coligação PSD/CDS.
A
União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) deram hoje (4) o
sinal verde ao governo de Portugal para receber a quinta parcela do plano de
ajuda financeira. Segundo autoridades do sector,
Portugal atendeu às expectativas da UE e do FMI na contenção de gastos e
austeridade interna. As medidas adoptadas por Portugal levarão o país a investir
nos fundos de três instituições bancárias
O
FMI e a UE confirmaram hoje que será repassada a Portugal a quinta parcela da
ajuda internacional, cujo valor total é 78 bilhões de euros. A missão de
técnicos que examinou as contas públicas portuguesas, na quarta avaliação
trimestral sobre a aplicação do plano de rigor, liberou o pagamento da parcela
de 4,1 bilhões de euros.
O
ministro das Finanças de Portugal, Vítor
Gaspar, disse que apesar do agravamento da situação externa devido ao impacto
da crise económica internacional, o governo português conseguiu cumprir as
metas fixadas e deve fechar o ano com deficit público em 4,5% do seu Produto
Interno Bruto (PIB).
No
entanto, as medidas de austeridade adoptadas pelo governo de Portugal levaram o
país a entrar em um processo de recessão. A previsão dos analistas é que a
economia portuguesa caia 3% ao longo do ano. Mas a previsão é que
Portugal volte a crescer em 2013 pelo menos 0,2%.
O
governo de Portugal anunciou ainda que vai injectar 6,65 bilhões de euros
em três instituições bancárias: o Banco Comercial Português, o Banco Português
de Investimentos, ambos privados, além do
banco estatal Caixa Geral de Depósitos. A ajuda faz parte do programa já
previsto de adaptação dessas instituições financeiras às reservas de capital
exigidas pela Autoridade Bancária Europeia.
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