Se a Grécia for forçada a sair da moeda única, a zona euro jamais
sobreviverá a este choque. O que até agora foi uma união monetária dará
lugar a uma área de moeda única desregrada. A acontecer, prevejo uma
fuga massiva do investimento estrangeiro, uma contracção no crédito e
uma forte queda sustentada no produto económico. A zona euro jamais
sobreviverá a este choque. Mas não só. As consequências de uma saída
serão igualmente catastróficas para a Grécia.
Uma união orçamental pressupõe seguir o caminho oposto. No entanto,
se o objectivo é salvar a zona euro, é preciso que esse caminho, esse
compromisso, englobe os quatro elementos seguintes. Nem todos têm de ser
implementados imediatamente, mas é imperativo que os líderes da zona
euro os subscrevam de forma cabal.
Primeiro, é necessário instituir um sistema de garantia de depósitos
que assegure inequivocamente que os depósitos serão liquidados em euros,
mesmo que o país anfitrião saia da zona euro.
Segundo, é preciso constituir uma Resolution Trust Corporation (RTC)
financiada pela zona euro para forçar a recapitalização dos bancos -
isto sem um veto nacional. É fundamental que abarque todos os bancos e
não apenas os maiores, na medida em que os mais vulneráveis operam no
segundo mercado, como é o caso do espanhol Bankia. À confiança deve
igualmente associar-se uma maior centralização da regulação e supervisão
bancárias.
Terceiro, é fundamental criar um modelo de ‘eurobonds' que possa
cobrir grande parte das dívidas novas e pendentes. Idealmente, a nova
união orçamental também deverá ter poderes regulatórios sobre o trabalho
e os mercados do produto.
Quarto, impõe-se uma mudança ao nível do mandato do Banco Central
Europeu (BCE), no sentido de incluir responsabilidades específicas
relacionadas com a estabilidade financeira, bem como tornar explícito
que o BCE não enfrenta quaisquer restrições na gestão das operações no
mercado secundário no exercício do seu novo mandato.
O primeiro e o segundo ponto exigem legislação, mas não implicam
qualquer alteração aos tratados europeus, embora tenham de ser
implementados imediatamente. Em relação aos pontos três e quatro
bastaria assumir um compromisso firme num primeiro momento para, depois,
começar a introduzir as alterações, isto porque é um processo que leva
tempo.
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